The Pretty Reckless - Dear God

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Foi um período de crescimento. Após o anúncio de Death By Rock And Roll, o The Pretty Reckless parece ter vivido um esquema de lua de mel. Afinal, entre o fim de 2022 e o início de 2023, o grupo foi convidado para abrir os shows do AC/DC durante algumas paradas europeias e toda a sessão da América Latina da Power Up World Tour, com início marcado para maio de 2024. Com esse período escolar encerrado em 04 de março, o grupo agora apresenta Dear God, seu mais novo disco de estúdio.


A voz crua e rouca, com raspas doces e agudas de Taylor Momsen traz consigo uma crueza de nuances melancólicas que se combinam sintonicamente com a desenvoltura amaciada do violão de Ben Phillips. Fluida, mas de postura notavelmente cabisbaixa, a movimentação do instrumento confere um curioso estado de frescor ao ambiente, mas não esconde a dose de dor amplificada pela forma como as palavras são pronunciadas. Inclusive, quando a bateria de Jamie Perkins e a guitarra distorcida entram em um uníssono pulsante, a composição é tomada por uma dramaticidade visceral bastante pegajosa. Se encerrando tal como um último suspiro de vida, Life Evermore Pt. 2 se destaca em razão de um lirismo que encapsula a falta de esperança, de brilho, de incentivo e motivação. Um recorte que traz um indivíduo completamente entregue aos efeitos corrosivos e canibalescos do câncer.


Sem aviso, o reverberar singelo do encerramento da canção anterior dá lugar a uma crueza instrumental regada em rispidez, distorção e uma acidez literal. Fornecida pela guitarra, essa textura parece, de fato, rasgar o ambiente de forma a promover uma sensibilidade até mesmo corrosiva que se espalha pelo corpo do ouvinte. É quando o baixo de Mark Damon, de groove encorpado, firme e denso, invade a cena junto à bateria em meio aos seus golpes secos e precisos. Assim que o primeiro verso avança, é interessante perceber a transformação comportamental da composição, que passa a assumir uma postura sensualmente provocativa de forma a, curiosamente, beirar ímpetos de loucura. Trazendo a cantora com uma interpretação lírica mais contida, mas permitindo a identificação de uma crueza menos saliente do que aquela obtida na obra anterior, a presente composição tem, em si, o cinismo como a base de sua postura. Quando a sua movimentação parecia atingir um alicerce de consistente linearidade, a faixa passa a vivenciar uma suave mudança em seu andamento rítmico-melódico. Ampliando o senso de esquizofrenia com nuances consistentes de angústia, a obra mergulha em um instante de ludibriante calmaria que, rapidamente, engata em um crescimento sonoro que funciona como uma injeção gradativa de adrenalina no sangue do espectador, a partir de uma ligeira ondulação da guitarra e dos espirros secos da bateria que soam como uma transformação de postura, saindo do conformismo mórbido para a necessidade de mudança. É no refrão que o desespero lírico se confunde com uma harmonia rítmico-melódica curiosamente contagiante que traz consigo boas semelhanças com aquela construída pelo Skank em Três Lados, seu respectivo single. Liricamente, For I Am Death surpreende por trazer um enredo que apresenta uma personagem em busca de sentido e motivação através da automutilação, mas que, de fato, encontra estímulo para adquirir gratidão e desejo pela vida. 


Seguindo com uma interessante sensualidade expressa pela levada acústica da bateria timidamente inserida em uma camada sônica inferior, a composição tem seu início de fato consagrado com a audição de um sonar trovejante e gordo expresso pelo groove do baixo. A partir dele, portanto, a composição flui para um instante instrumental sujo e áspero, mas de movimentação amaciada, que muito rememora o estilo sônico do Velvet Revolver especialmente em sua fase Contraband. Misturando, de forma equilibrada, menções de hard rock e post-grunge em sua estrutura sônica, a faixa chama a atenção por ter, no baixo, um importante elemento em sua construção, afinal, é ele que domina a cena inclusive durante os versos. Desembocando em um refrão melódico com linhas líricas agraciadas por modulações levemente explosivas, a faixa passa a contar com a inteligente textura tilintante do pandeiro na difusão de uma sensibilidade propriamente sensual no âmbito percussivo. Crua, mas nem tanto quanto For I Am Death, When I Wake Up explora novamente a busca por propósito e estímulo pela vida. Uma vez que a personagem parece optar pelo suicídio e pelas drogas para criar, em si, uma postura inerente à aquisição de uma suficiente autoconfiança para assumir a própria identidade, a faixa traz consigo a essência da fragilidade do indivíduo.


Ao contrário do que se observou até aqui, a introdução da composição sugere a chegada da primeira balada de Dear God. Puxada por um violão de riff seco e um tanto cru, a composição se destaca pela interessante combinação entre o som extraído do instrumento e a voz aguda e rouca da cantora. Instrumentalmente minimalista durante seus primeiros versos, a canção passa a assumir contornos ainda mais precisos de balada com a entrada da guitarra distorcida e da bateria em uma espécie de cadência sinérgica. E é justamente nesses momentos que a vocalista explora seu tom rasgado e transforma a composição em uma espécie de produto sônico melancólico-dramático com generosa similaridade estética em relação ao som do Radiohead. Diante dessa atmosfera rascante, pungente e soturna, Love Me se consagra como uma canção que destaca não só a carência, mas a necessidade do afeto, do companheirismo, da compaixão. É o retrato mais visceral da busca pela sensação de ser amado, querido e importante para alguém. 


Ela traz consigo um certo toque de audácia. Afinal, a movimentação proferida pelo violão traz consigo inflecções que denunciam, de imediato, interferências mediterrâneas em sua paisagem. Hipnótica em razão da repetição dessa melodia de compasso ondulante, a canção permite a pincelada de um som agudo e vivo produzido pela guitarra como forma de interromper os impulsos entorpecentes. Felizmente, conforme segue seu desenvolvimento linear, ocorre a entrada do baixo na base melódica. Diante de seu groove gordo, existe a aquisição de uma boa dose de densidade, mas ainda mantendo o grau de enigmatismo que tanto rege a atmosfera. Ao primeiro sinal do verso lírico, a cantora fornece rompantes de uma intensidade curiosamente censurada, mas capaz de demonstrar ligeiros requintes de angústia. Nesse processo, é interessante pontuar que Taylor realiza modulações vocais que oferecem vislumbres do R&B em sua forma de canto, desencadeando em uma nova fonte de movimento em relação ao andamento sonoro. Com sensualidade sincopada a partir da entrada da bateria dominando a base rítmica, a canção chama atenção por apresentar curiosos e inusitados estímulos dançantes, mesmo quando o instrumental entra em completa sintonia em sua forma integral. Diante dessa paisagem, Dragonfire mergulha na ideia da exploração. Na forma como os relacionamentos esbarram em unilateralidades e ausência de reciprocidade. Parecendo dialogar de igual forma sobre o limite da liberdade, a faixa guarda nuances libidinosas ao metaforizar o fogo de dragão como a intensidade do outro sobre o indivíduo. E sua ausência, consequentemente, leva à abstinência.


O som seco do chimbal pode até dar a ideia de fluidez e de uma movimentação amaciada. Conforme a bateria vai amadurecendo gradativamente a sua desenvoltura, o escopo rítmico ganha um pulso igualmente seco e sequencial, dando a ideia de uma ligeira linearidade estrutural. De repente, como em um solavanco, a guitarra entra em cena com uma aspereza que imerge o ouvinte no soturno. É nesse mesmo momento que uma sonoridade sintética, perambulando pela base melódica, insere uma conotação mística que, junto à textura e à performance da guitarra, desemboca em um esboço sensorial não apenas sombrio, mas grotesco e cínico com um toque debochado de agressividade. Protagonizando a acidez como sabor e textura, a composição vai ganhando forma diante de uma postura sorrateira intrigante e perigosa. Não é de se espantar que a performance lírica adquira um tom sinistro a ponto de deixar o ouvinte refém de sua própria vulnerabilidade. Caminhando a ponto de promover um alicerce não apenas obscuro, mas assustador, como se o ouvinte estivesse na companhia de um ser onipresente e sádico, a faixa-título explode em um refrão que explora texturas cruas e ambiências soturnas que transpiram agonia e desespero diante de um escopo vocal que apresenta Taylor desafiando sua própria extensão vocal em momentos em que desfila, felizmente, consistência e domínio de seu potencial. É assim que a faixa-título ganha sinceridade, visceralidade e uma verdade incontestável em relação à vulnerabilidade e, especialmente, à solidão no sentido do abandono. Enquanto a culpa e o desejo andam de mãos dadas, o medo de não conseguir a redenção apavora o eu lírico, que usa sua própria voz para falar com um ser divino e onipresente na ânsia cega de calar a sua própria culpa. Aqui, diante de uma atmosfera funesta e de leves incinuações vampirescas, é onde a insanidade dialoga com a religião como forma de revelar a busca por proteção, destacando, uma vez mais, a fragilidade do indivíduo em sua forma mais crua. 


A introspecção que se anuncia não traz sequer um sinal de ternura. Não há conforto, frescor ou sinal de aconchego. Pelo contrário, o que aqui existe é uma densidade diretamente associada a um estado melancólico quase crônico proferido pelo violão em meio à sua solidão acústica. Não é de se espantar que até mesmo a performance de Taylor soe mais crua e roca, de forma a ilustrar um profundo estado letárgico. Como um interlúdio bruto no que se refere à sua enxutez instrumental, Life Evermore Part. 3 traz uma personagem em busca de alguma morfina que a espante de seus próprios sofrimentos e pensamentos de infinitas naturezas. Na presente faixa, parece que o centro da narrativa é a negação do outro em um tom de repulsa carnal, algo que fortalece a ideia de desgosto, mas, também, de uma curiosa aquisição de independência.


Ela traz um contexto introdutório interessante porque mistura explosão com um toque de contágio melódico. Com guitarras elétricas suspirantes diante do reverberar estridente e insistente dos pratos de ataque, a canção surpreende por fornecer uma atmosfera de sabor encantadoramente saudoso. Em razão das modulações levemente aveludadas expressas pela guitarra solo, a nostalgia se torna uma sensibilidade marcante e bem presente no escopo estético da obra, tornando-a uma espécie de balada de inclinações inclusive românticas. Perante uma bateria pulsante e um chimbal seco de movimentação ondulante, a cantora entra em cena fornecendo uma interpretação lírica bem distante do sombrio funesto e suplicante da faixa anterior. Aberta e com bastantes momentos em que aparece diante de sua tonalidade limpa, a voz e a entonação da vocalista cooperam para fazer de About You a primeira balada de Dear God. Leve e contagiante, eis aqui uma obra sobre desamor, sobre decepção amorosa e sobre um controle emocional que permite a assumição da autoconfiança e da resiliência.


A voz é gorda e esboça fofura. Uma criança bem pequena emite sons balbuciantes que funcionam como outra estratégia ousada de introdução ofertada pelo The Pretty Reckless. Conforme continua a dar ênfase a esse cenário, a canção mostra que aquele aparente monólogo se torna um diálogo com outra voz, mais firme e madura, aparentando ser de Taylor. Eis então que, no instante em que a canção tem sua introdução de fato anunciada, o ouvinte mergulha em um universo áspero, pulsante e de movimentação curiosamente ondulante. Mantendo essa identidade sonora, mas conferindo-lhe um tom interessantemente mais cínico durante os versos, a faixa passa a abusar da sensualidade a partir, inclusive, da inserção do tilintar do pandeiro na base rítmica. A partir daí, Spell On You oferece o tema do ódio e da raiva com um misto de lúdico e humor ácido envolto em um aspecto de vingança.


Com a bateria invadindo o cenário com uma levada rítmica que já demonstra uma identidade sincopada bastante atraente, a canção se desenvolve de forma a explorar uma postura mais introspectiva e melancólica. Especialmente pela afinação e pelo movimento adotado pela guitarra, a tristeza vai ganhando destaque perante o cenário da composição, envolvendo o ouvinte em uma espécie de torpor pegajoso. Curiosamente, até mesmo em razão do tom lamentador esboçado por Taylor, a presente obra traz muita similaridade estética para com a paisagem sônica explorada em Nobody’s Home, single de Avril Lavigne. Monocromática em meio ao seu tom acinzentado, Rollercoaster Of Life traz um retrato marcante e pungente da dicotomia entre a maturidade e a infância. O retrato de como a passagem do tempo pode transformar uma vida. Ao mesmo tempo, eis aqui um produto que reflete a pressa e o automatismo do cotidiano, esboçando a ideia de que quanto mais rápida a caminhada segue, mais chances ela apresenta de falhar. Ainda que diante de um escopo rítmico-melódico linear, a obra se destaca pelo seu alto grau de letargia e pelo aspecto sombrio completamente associado ao senso de desmotivação.


O clima orgânico e espontâneo toma conta do ambiente a partir de uma contagem crescente entoada de forma tímida por uma voz masculina ao fundo. Assim que a cantora expressa sua voz ao microfone, mostrando estar em primeiro plano, a obra tem seu início anunciado e a melodia cuidadosamente construída a partir de um violão amaciadamente suspirante. Na companhia da textura seca do chimbal sendo ouvida proferindo os primeiros sinais do compasso rítmico, a canção envolve o ouvinte em meio a um contexto sincopado e brando que, curiosamente, consegue reconstruir traços de uma harmonia semelhante àquela obtida em Patience, single do Take That. De estética acústica, Eye Of The Storm explode em um refrão em que a angústia é exposta em seu contorno mais cru diante de um instrumental vivo e de frases líricas intensas. Contando com a aspereza da distorção da guitarra para criar um estado visceral, a obra alcança um patamar dramático generosamente amplificado pela valsa de violinos inserida por Duncan Watt durante seu ápice narrativo. Enquanto difunde a ideia de resiliência e uma maturidade marcante em relação à falta de direção frente à atualidade do aumento do vão socioeconômico, a canção também oferece uma mistura de repulsa, desgosto e desmotivação que desemboca em um desespero profundo.


Pelas lentes do dedilhar linearmente ondulante do violão em contato com o pulso do bumbo, existe a ideia da fluidez das lágrimas em resposta ao estado de pura lástima. Não é de se espantar, portanto, que a melancolia seja explorada de forma pungente, mas, curiosamente, sem traços pegajosos, no decorrer da composição. A partir das modulações vocais assumidas por Taylor, além do aspecto acústico e minimalista que a canção exorta, se firma uma semelhança harmônica notável em relação àquela alcançada pelo Kansas em Dust In The Wind, seu respectivo single. De estrutura folk, Devil In Disguise (Michelle’s Song) soa como um verdadeiro hino pesaroso que presta um emocionante tributo à figura de Michelle Trachtenberg, morta em decorrência de complicações com a diabetes. 


O som quebradiço e levemente estridente dos trovões é percebido ao longe como uma forma de representar o caos. É então que a guitarra, áspera e suspirante, entra em cena rompendo brevemente com o torpor até então difundido, atitude que, pela forma como é feita, cria um interessante parentesco estético para com aquele possuído em Blame Me, canção do próprio The Pretty Reckless. Diante de uma cadência rítmica mid-tempo de andamento em 4x4, a introspecção é agraciada por silhuetas não necessariamente sombrias, mas capazes de fortalecer o estado de letargia presente no ambiente. Ainda que de aparência rítmico-melódica linear, a faixa é agraciada por interessantes e inesperados rompantes de um baixo bojudo insurgindo da base melódica introduzindo lapsos bem-vindos de densidade à sonoridade. Com direito a backing vocals ululantes de conotação fantasmagórica finalizando o refrão, Dark Days soa como uma espécie de cantiga folclórica melancólica-sombria a respeito da premunição bíblica acerca da definição de dias sombrios. É assim que o suor transpirado pela obra exala um aroma de desesperança que reflete um passado sem futuro, um presente ausente de essência e um futuro sem estímulo. 


Entorpecente a partir da união de um violão de riff unilateralmente suspirante, a canção apresenta linhas líricas interpretadas de forma a evidenciar a ausência de vida e motivação. De postura cabisbaixa e um minimalismo monocromático, a faixa possui rompantes dramáticos em razão da união com os pulsos da bateria e a aspereza da distorção da guitarra. Diante dessa paisagem estética, Life Emermore, Pt. 1 expressa a ausência de fé na vida. Eis aqui a desilusão em seu ponto máximo.


Comparativamente, Dear God pode até ter uma estética sonora menos metalizada em relação à paisagem explorada em Death By Rock And Roll, seu antecessor. Porém, o que o The Pretty Reckless apresenta com o presente álbum é um aprofundamento em meio ao clima sombrio e às texturas asquerosas de clima morfinesco.


Sem se apoiar em brilhantismo estético ou em reviravoltas mirabolantes durante as composições, o disco oferece uma roupagem crua e mergulhada em um tom incontestavelmente sinistro. Nesse ínterim, momentos de contágio de nuances popeadas, expansivas e radiofônicas existem, mas são poucos, de forma a serem facilmente engolidos pelo cinismo funesto que aborda grande parte da energia do disco.


Com bastante inserção de posturas reflexivas em relação a temáticas sociopolíticas, o The Pretty Reckless chama a atenção por apresentar uma postura mais amadurecida e consistente. Sem se desprender de suas raízes, mas se aprofundando nelas de forma a atingir uma sinceridade marcante perante as composições que compreendem a presente track list, o material exclui a necessidade de participações especiais para mostrar o grupo em sua forma pura.


Inclusive, se olhar Dear God de forma mais ampla, ele reflete um processo vivido pelo The Pretty Reckless que outros grandes nomes da música - e que, inclusive, dividem o mesmo perfil de público - também já passaram. Um bom exemplo disso é o Linkin Park, que sofreu uma mudança marcante em sua sonoridade a partir de Minutes To Midnight, deixando seu lado nu metal e explorando o metal alternativo. Da mesma forma, foi o que aconteceu com o Evanescence, que, a partir de seu disco autointitulado, deixou o metal gótico para mergulhar, também, na exploração do metal alternativo.


Com o The Pretty Reckless, portanto, não foi diferente. Afinal, ainda que tenha encontrado um som denso, sombrio e quase asqueroso em Going To Hell, o grupo optou por se aventurar por uma sonoridade mais branda em Who You Selling For. Porém, com Death By Rock And Roll, o retorno ao grave e a um som mais agressivo aconteceu. Parcerias com nomes como Matt Cameron, Kim Thayil e Tom Morello reforçam essa verdade. E a chegada de Dear God vem como uma espécie de fim de um processo de busca. Afinal, como já foi pontuado, aqui a banda encontrou o seu verdadeiro som: potente, grave, áspero, sombrio, intenso e reflexivo.


Para alcançar um som que represente esse viés conjuntural de forma precisa, o grupo se aliou à figura de Jonathan Wyman. Com ele no domínio da engenharia de mixagem, o disco conseguiu ter salientada a sua estética entorpecida e desesperançosa de forma a destacar ainda mais o sombrio como sinônimo de desmotivação em meio a uma roupagem que transita livremente entre o hard rock, o metal alternativo e o post-grunge. 


Fechando o escopo técnico, vem a arte de capa. Assinada pela própria Taylor, a obra captura a imagem da cantora sentada frente a uma parede adornada por uma cruz grudada em sua superfície, amplificando uma ideia de súplica com um toque de obscuridão bastante presente no decorrer das faixas do disco.


Lançado em 26 de junho de 2026 via Fearless Records, Dear God traz o The Pretty Reckless em sua forma mais madura. Tanto na questão do som quanto na da sintonia dos músicos, o álbum apresenta um aperfeiçoamento no âmbito sombrio da sonoridade da banda, ao apresentar temas de associação com o social. Tudo construído de forma a soar como um diálogo linear em forma de uma prece para Deus. Um diálogo extrassensorial cheio de súplica, de pesar e desamparo.

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Sobre o crítico musical

Diego Pinheiro

Quase que despretensiosamente, começou a escrever críticas sobre músicas. 


Apaixonado e estudioso do Rock, transita pelos diversos gêneros musicais com muita versatilidade.


Requisitado por grandes gravadoras como Warner Music, Som Livre e Sony Music, Diego Pinheiro também iniciou carreira internacional escrevendo sobre bandas estrangeiras.