Alec Adams - Ballad Of Humanity

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O que acontece aqui é uma envolvência teatral capaz de recriar um tom curiosamente dramatúrgico das peças oriundas da Belle Époque ou da nacional Semana De Arte Moderna de 22. Afinal, a maneira como o piano se funde com o bumbo em meio a um compasso pulsante dá à canção um contexto sincopado e firme, mas, principalmente, apoiado em uma curiosa dose de swing.


Com o auxílio do baixo, presente na base melódica a partir de um groove grave e no limiar de produzir um sabor azedo, a composição alcança uma aparência densa no que tange ao sentido de consistência e firmeza sônicas. Com certo quê de cinismo, essa metodologia rítmico-melódica sofre uma quebra e passa a envolver o ouvinte em um universo de nuances mais épicas e, inclusive, sombrias. Conforme as guitarras distorcidas ganham a atenção dos holofotes, é o teclado, com seu dulçor levemente aveludado e ácido, que, a partir da base harmônica, traz o suspense e a tensão para o cenário.


É nesse instante que o enredo lírico toma forma. Por meio de uma voz masculina, na posse de Alec Adams, ele evidencia o tom levemente metalizado do vocalista, que ainda é agraciado por requintes de drive que conduzem a brisas de agressividade. Com ele dominando a atenção do espectador, a canção caminha por entre seu compasso em 4x4 de forma a ilustrar crueza e uma aparente - e proposital - ausência de lapidação em relação à sua sonoridade. 


Transpirando influências nítidas do Ozzy Osbourne em sua era Bark Of The Moon, a faixa explora uma tomada que beira nuances operísticas e góticas em razão do aspecto grave, bruto e denso com que a sua sonoridade evolui. Ainda que beba de uma conjuntura harmônica linear, a faixa traz um agradável solo de piano e um clima fantasmagórico que chega a beirar o morfinesco.


Diante dessa roupagem, Ballad Of Humanity traz Adams dialogando, com um inglês bem pronunciado, sobre a insanidade humana, sobre a sua natureza carniceira e cínica. Além disso, o cantor esboça uma crítica afiada sobre a manipulação religiosa e como ela romanceia a dor. Ele usa dessa metáfora para mostrar que os ditos salvadores se apresentam com vestes puritanas para, subitamente, dar o bote fatal naqueles ausentes de senso crítico. Uma visão da sociedade atual sem filtro sob as vestes do dark rock. 

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Sobre o crítico musical

Diego Pinheiro

Quase que despretensiosamente, começou a escrever críticas sobre músicas. 


Apaixonado e estudioso do Rock, transita pelos diversos gêneros musicais com muita versatilidade.


Requisitado por grandes gravadoras como Warner Music, Som Livre e Sony Music, Diego Pinheiro também iniciou carreira internacional escrevendo sobre bandas estrangeiras.