Seu despertar já é marcado por uma graciosidade envolvente e aromática providencada pelo sabor agridoce do acordeon. Por meio desse instrumento, não é apenas o charme que acaba definindo o ecossistema em formação, mas também o clima romântico e a postura intimista mostram uma capacidade nata de envolver o ouvinte em meio a uma experiência sensorial completa.
Quase como se fosse capaz de recriar aquela estrutura típica do folk francês, o acordeon faz com que o ouvinte se entorpeça diante de sua sutileza e de seu aspecto puramente romântico enquanto o intimismo, como postura física, vai ganhando conotações cada vez menos questionáveis. Quando o enredo lírico começa a ganhar vida através de uma voz masculina cujo timbre mistura nuances roucas e graves, a emoção ganha uma alavanca notável.
Com sua cadência lírico-interpretativa brevemente ondulante, o vocalista faz com que o ouvinte identifique, em primeiro lugar, sua escola soul. E, quanto mais avança diante da desenvoltura lírica, mais o vocalista disseca a sua própria profundidade sentimental perante a narrativa verbal. No instante em que a composição se vê agraciada por novos elementos instrumentais modelando seu aspecto sonoro conjuntural, essa camada lírica tem novos impulsos para explorar o seu interior.
Na companhia de instrumentos como trombone, saxofone, trompete e do órgão hammond - elemento primordial na criação de um sabor adocicadamente ácido que preenche a camada melódica durante o refrão, a composição acaba imergindo com grande lugar de fala na atmosfera do R&B. Ainda que a base rítmica traga consigo o compasso típico do blues, com seu andamento em 4x4, Richest Man se mostra uma composição de natureza sincera que traz consigo um tom de honesto agradecimento que se embebe de um senso de completa simplicidade explorado pela sua conjuntura harmônico-rítmico-melódica.

