Carla Mariani - The Lady Is Back In Blues

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Ela já é um tanto conhecida no cenário da música independente brasileira. Afinal, já contabiliza, no seu portfólio, trabalhos como Introducing CM Quartet, seu álbum de estreia, e os EPs Locked Inside e Time. Agora, no segundo mês do segundo trimestre do ano, Carla Mariani anuncia, enfim, seu segundo full-length. Intitulado The Lady Is Back In Blues, ele foi antecedido pelo anúncio de três singles entre os meses de maio de 2025 e abril deste ano.


A guitarra de Roman Hötzel surge melodiosa e minimamente swingada, mas o que dá, de fato, o charme à introdução é uma ligeira base harmônica devidamente providenciada pelo veludo adocicado do teclado de Thais Ribeiro ao reproduzir a identidade sônica do fender rhodes. É verdade, porém, que em poucos instantes de desenvoltura, a composição já permite ao ouvinte perceber o despertar rítmico prematuramente quebrado da bateria de Heittor Jabbur, além  da clara identificação do baixo de Tanauan e seu groove devidamente encorpado. Swingada e um tanto amofinante, a faixa ganha vida a partir de um enredo lírico que, pronunciado pela voz minimamente amaciada e grave de Carla Mariani, adquire uma curiosa conotação onírica e introspectiva. Sincopada no que se refere ao seu escopo rítmico, é curioso como a obra se deleita em uma harmonia de aspecto linear enquanto a estrutura rítmico-melódica da obra fornece ímpetos de um movimento cuidadosamente entorpecido, mas capaz de denunciar a sua base charmosamente jazz. Ainda assim, feliz e surpreendentemente, I Had A Dream escorrega para um cenário sensorialmente brisante. Agraciado pela presença de um backing vocal que, construído a partir da união das vozes de Raffa Pereira e Letícia Alcovér, além de oferecer vislumbres de um curioso drama melancólico associado a um adorável toque de torpor, traz consigo um viés harmonioso que torna a faixa deliciosamente envolvente, ele transforma a percepção sensorial obtida pela audiência e dá peso ao enredo lírico. Mais do que dialogar sobre a carência de um amor agora inexistente, a obra destaca a carência e a fragilidade do indivíduo ante a iminência da necessidade de mergulhar rumo à superação, além da busca por, talvez, desesperados sensos de pertencimento e propósito. Ao menos no sonho, a vida é, simplesmente, bela e perfeita.


É até curioso, para dizer o mínimo. Ao se ouvir latidos, o espectador chega a ficar até mesmo um pouco confuso, mas essa é uma sensação que logo se esvai. Afinal, é muito interessante o que esse som ambiente faz com a percepção sensorial. Muito mais do que ativar noções nostálgicas, essa sonoridade dá uma conotação de conforto e aconchego por promover uma espécie de ternura e um quê de serenidade. No entanto, a composição traz consigo um crescimento que dá uma experiência cativante e animada, mas sem deixar escapar essa inclinação para com a delicadeza. De uma maneira bastante sintônica, a guitarra de Luiz Oliveira, a bateria e o teclado conversam harmoniosamente enquanto moldam um terreno rítmico-harmônico-melódico aromático e de textura aveludada. Nesse ínterim, é, inclusive, satisfatório perceber que o baixo é encontrado por meio de pulsos encorpados que conferem uma dose ideal de densidade e firmeza à sonoridade da obra. No comando de um timbre, agora, mais fanhoso por parte de Carla, Music Lady traz um contexto harmônico presente, mas linear. Ainda que dificulte brevemente o senso de movimento, a própria modulação vocal assumida pela vocalista faz com que a composição consiga atrair a atenção do espectador e entorpecê-lo em determinados momentos. Oferecendo uma narrativa simples, mas que exorta um carinho incondicional entre uma cadela e sua tutora, a obra representa o senso de cumplicidade, lealdade e amor existente entre um cão e seu dono.


A melancolia é uma emoção que não deixa o ouvinte escapar. Preenchendo toda a sensorialidade introdutória, a sinergia entre o trombone de Túlio Mendes e o trompete de Cassio Peixoto envolve o espectador em uma espécie de valsa amofinante dominada por consistentes lampejos de bolero. Frágil até mesmo no que tange o escopo rítmico, ocupado aqui pela presença da textura suave da vassourinha, a canção vai cautelosamente fluindo para um cenário mais inclinado ao jazz, algo perceptível graças às notas sincopadas do piano. Ganhando um compasso em 4x4 que faz com que existam brisas blues em meio à paisagem sônica em desenvolvimento, a faixa se torna denotativamente entorpecente com o auxílio consistente dos backing vocals que envolvem terna e pontualmente a base lírica. Swingada e de conotações curiosamente hipnóticas, a canção vive momentos de uma ligeira guinada de ânimo que chega a flertar bem brevemente com o aroma latino da salsa, o que lhe garante uma interessante fluidez sensual. Em Behind Closed Curtains, ao contrário do que foi proposto em I Had A Dream, a personagem lírica preenche as palavras com uma sensação de amor, de paixão e de reciprocidade que transborda o próprio limite do som, da melodia. Oferecendo uma narrativa de amor incondicional e de conotações eternas, a composição explora a longevidade daquilo que é verdadeiro, mas escorrega em boas e pegajosas doses de um drama de grau novelístico. Ainda assim, tudo casa com a ideia de paixão, eternidade e carência emocional.


A introspecção é um comportamento quase involuntário. Proporcionado especialmente pela união entre a interpretação vocal assumida por Carla e pela textura firme do violão de aço, ele domina sobremaneira a experiência sensorial vivenciada pelo espectador durante seus momentos nascentes. Engrandecido pela presença bojuda e singela do baixo, ele assume contornos brisantes com a entrada frágil do veludo aromático e adocicado do fender rhodes representado pelo teclado. Aprofundando a sua sensorialidade intimista, portanto, So Tired explora uma espécie de melancolia associada a um curioso vislumbre de peso e cansaço muito bem disfarçado pela maciez do teclado e pela valsa harmônico-lírica providenciada pelos backing vocals. Como a faixa mais sentimental de The Lady Is Back In Blues até o momento, a qual oferece, ainda, uma profundidade emocional palpável, So Tired explora a ideia de unilateralidade na relação e da percepção da ausência de amor-próprio. Ainda assim, ela escancara a carência e a necessidade do senso de preenchimento oferecido pela imagem e presença do outro. Uma verdadeira mistura de autoconhecimento, superação, melancolia e nostalgia que mostra o quão frágil o indivíduo pode ser. Sintetizando essas emoções conflitantes, está a guitarra de Filipe Ramalho. De performance aveludada, mas com ligeiros traços ácidos que dão vida às lágrimas de um sofrimento denso, o instrumento ainda é capaz de dar alento e um toque de compaixão com sua delicadeza mansa que envolve a base melódica.


Trombone e trompete voltam a brilhar. Preenchendo rapidamente o escopo harmônico já durante os primeiros instantes da composição, os instrumentos se dividem entre a exploração de veludo e um bastante delicado toque de acidez que transforma minimamente a proposta melancólica extraída de suas sonoridades. Sincopada e ritmicamente pulsante, a faixa é ainda agraciada por uma guitarra que, no comando de Marcel Chili, combina swing e uma textura levemente borbulhante à composição. Aqui, tal como aconteceu em Behind Closed Curtains, o ouvinte é presenteado com um instante de transformação conjuntural em que as brisas de intimismo e melancolia se transformam em um animado recorte jazz com ar retro da década de 20. Com essa estrutura, Happy Tears se mostra, definitivamente, a canção mais motivacional de todo The Lady Is Back In Blues. Quase como se estivesse ensinando o ouvinte a ter uma vida leve, regida por amor-próprio, senso de liberdade e a certeza de estar em boas companhias, a faixa indica o caminho para se ter felicidade e o mais puro bem-estar, detalhes muito bem sintetizados pelo gracioso solo de órgão que antecede o protagonismo da guitarra.


Um toque solar recebe o ouvinte de maneira surpreendente. Tal como se estivesse anunciando  a chegada de um novo dia, o saxofone de Maurício Fernandes mistura vivacidade e estridência com um notável equilíbrio sensorial. Funcionando como a alma da composição, o instrumento cria uma valsa que sobrevoa toda a camada sonora preenchida pelo compasso manso da bateria, pelo suave trote do baixo e por uma camada brisante vinda do teclado quase que de forma imperceptível em razão de sua extensa delicadeza. Encarnando, com ainda mais afinco que Happy Tears, um jazz com base na década de 20, Ray Of Light traz consigo uma leveza estonteante e uma capacidade admirável de contágio. Serena, fresca e denotativamente frágil, a faixa bebe de uma linearidade estético-estrutural que limita, em certo aspecto, o senso de movimento percebido pelo espectador, fazendo com que o torpor seja um estado sensorial em dominância pelo ecossistema. Com direito a um solo de saxofone, Ray Of Light é mais uma obra na conta do disco que fala, com leveza, sobre amor e paixão com um toque bastante jovial e simplório.


O trombone atinge um estado de maciez e envolvência que faz com que o senso de melancolia seja percebido de uma forma curiosamente envolvente. Delicada, a performance do instrumento permite que o ouvinte identifique uma crueza sonora que destaca a natureza orgânica da composição. Minimalista e enxuta no que se refere ao groove do baixo e à levada rítmica proposta pela bateria, a composição explora a ideia sensorial de frescor e leveza ao mesmo tempo em que dá uma ligeira conotação de independência. De liberdade. De modulações lírico-interpretativas marolentas, a composição é agraciada por um solo sintônico entre trompete e trombone que lhe confere ligeiros traços de vivacidade e sensualidade ao mesmo tempo em que enaltece seu estado sonoro de completa fragilidade. Mansa e aromática, Birds chama a atenção por ter um lirismo dividido entre os idiomas inglês e francês. Usada por Letícia como a alma de um poema cuidadosamente proclamado, a presença dessa segunda língua na esfera lírica, além de destacar o timbre doce e grave da até então backing vocal, se firma como um detalhe que, naturalmente, confere um charme excêntrico e romanceado à sua estrutura. Experimentando a mistura de emoções como melancolia e nostalgia, a canção se torna marcante também por refletir o efeito do tempo sobre o indivíduo, mas se destaca ainda mais por lembrar que não existe tempo capaz de frear a vontade de viver, de ser livre. De voar. 


Valsante e fresca, mas sem deixar escapar as nuances melancólicas que tanto marcam a paisagem sonora do álbum, a presente composição nasce mansa e com uma maciez imbuída de um frescor de conotação embriagante. Harmônica em relação à forma como o arranjo de cordas preenche a paisagem sonora, a faixa explora uma delicadeza superior àquela até então trabalhada. Intimista, aromática e com um viés ligeiramente onírico em razão do efeito sensorial dos dedilhares do piano, a faixa conta com a interessante presença da guitarra de Anderson Botega. Entre lampejos de um veludo ácido de natureza blues, o instrumento acaba auxiliando na sintetização do drama ofertado pela interpretação lírica ofertada por Carla. Em My Blood, a cantora parece trazer o diálogo mais sincero e autobiográfico de todo The Lady Is Back In Blues. Afinal, ele salienta as dúvidas, os receios, os medos, as decepções e o senso de frustração de todo o indivíduo que mergulha profundamente no investimento de seu próprio sonho, independentemente da área. A desorientação associada à decepção é um momento necessário a ser superado e que, na presente faixa, é muito bem sintetizado.


É o compasso, a maciez e o swing que dominam o cenário introdutório da composição. De pulsos rítmicos consistentes e de uma ondulação melódica que apenas sugere lapsos de melancolia, a estrutura da obra chama a atenção por ser embasada na típica métrica do blues e em seu andamento em 4x4. Delicada e cuidadosamente esvoaçante a partir das modulações líricas efetuadas por Carla em meio a sobreposições vocais, a obra traz grande participação do piano, elemento que confere suavidade e um bom auxílio na aquisição do senso de fluidez em relação à sua estrutura. Aromática, fresca e de sabor agradavelmente adocicado, Bright Lights soa como uma valsa que, assim como I Had A Dream, Behind Closed Curtains e My Blood, explora, da devida forma, o espaço atmosférico do sonho e do imaginário. Com direito a um solo de trompete que entrega estridência e um toque de vivacidade sensual ao contexto harmônico, Bright Lights desenha uma silhueta de utopia. Uma experiência brisante que almeja por um mundo regido pelo senso de igualdade e pela felicidade em âmbito comunitário.


A composição já tem seu início marcado por um arranjo de cordas aveludado, aromático e valsante que acompanha, em total sintonia, o compasso rítmico em 4x4 cuidadosamente desenhado pela bateria. Explorando o blues como a base de seu enredo sonoro, é interessante observar como a faixa consegue combinar frescor, torpor e charme de uma forma equilibrada. Ocasionando a criação de um ambiente fantasioso de inclinações disneyrescas, essa conjuntura instrumental encaminha o ouvinte para um ambiente de boa participação da guitarra de Muniz Crespo. Um cenário em que o instrumento se mostra swingado, aveludado e delicadamente saliente, mas sem esconder a contribuição de outros importantes elementos sônicos, como o piano que se apresenta por entre notas duplas e sequenciais explorando, despropositadamente, o compasso embrionário do boogie-woogie. Ampliando, mesmo que minimamente, o aspecto sensual, essas percepções sonoro-estruturais dão a All That Matters Is Love um curioso alicerce romântico e embriagante. Delicada e com uma harmonia lírica que, curiosamente, rememora aquela vivenciada por Marisa Monte em Depois, seu respectivo single, All That Matters Is Love segue uma trilha melancólica semelhante àquela apresentada em So Tired. Afinal, aqui existe uma reflexão frente à antítese de amor e ódio, além de um interessante pensar acerca da felicidade conjugal em meio a momentos de crise.


A forma como Oliveira arranha o riff da guitarra faz com que a introdução imediata da composição seja agraciada por uma dose generosa de crueza e uma provocativa rispidez. Ganhando precisão junto aos punchs sintônicos da bateria, cada trovejar riffante sugere uma indicação de caos embrionário. De imponência. De rebeldia. Surpreendentemente, porém, o que acontece é que o referido instrumento de corda passa a desenhar um ecossistema melódico amaciado e convidativamente sensual que recebe a companhia de uma linha lírica de conotação ardente. Não apenas a própria Carla atinge um tom rasgado que a tira de sua zona de conforto mezzo-soprano, mas também as próprias backing vocals assumem uma postura mais esvoaçante e harmonicamente complementar ao canto principal. Assumindo uma identidade do mais puro blues elétrico a ponto de rememorar a saliência típica do gênero no auge de sua popularidade na década de 60, Fool Blues explora uma sonoridade de postura debochada e devidamente sensual. Muito além de ter uma esfera harmônica muito bem trabalhada por Thais e a capacidade de representação da sonoridade adocicadamente ácida do hammond, a composição se mostra um chamariz para que o público se sinta instigado em conhecer o restante do conteúdo de The Lady Is Back In Blues. Curiosamente, Fool Blues entra na mesma seara de títulos como Bright Lights por ter um toque de consciência de mundo e de uma espécie de notável maturidade social. Não é uma aula de como garantir felicidade e bem-estar como acontece em Happy Tears, mas um ensinamento, uma injeção de autoconfiança e postura para que o ouvinte não se abale frente à opinião alheia e se mantenha fiel e no controle de sua própria identidade. Se o ouvinte não consegue fazer essa associação por conta, Fool Blues se encaixa perfeitamente na função de reconexão do espectador com a própria essência.


A guitarra de Vini Borges entra em cena com um comportamento amaciado de natureza completamente sensual, mas sem qualquer sinal de estímulos libidinosos. Junto dela, a bateria se encaixa na base rítmica desenhado o compasso 4x4 padrão do blues, fortalecendo a maciez estético-estrutural e uma curiosa suavidade melancólica que se forma de maneira gradativa. É nesse ínterim em que a guitarra exorta contorcionismos espasmáticos que a canção vai amadurecendo seu viés bluesado, com direito a um baixo de groove firme e pulsante e um piano de dedilhares levemente rápidos que dão uma sensação de súbita aceleração e engate de swing. Sonoramente firme e consistente, a canção, ao permitir o despertar do enredo lírico, vai migrando para uma postura intimista delicada, mas ainda embasada em certo grau de sensualidade. Sem brilhantismo e seguindo uma esfera brevemente linear, a faixa-título pode ser entendida como uma diminuição do êxtase de Fool Blues por ter, em si, um blues bruto, cru e tradicional. Tal como Birds e, em menor grau, Happy Tears, a faixa-título vem com o dever de estimular o senso de liberdade enquanto propõe a assumição de uma postura resiliente, persistente e autoconfiante, garantindo um novo espaço motivacional ao álbum.


Este pode não ser, necessariamente, um álbum de estreia. Certamente, porém, é um disco que explora profundamente a musicalidade, a visão de mundo e a essência sócio-cultural de uma artista independente. Em The Lady Is Back In Blues, Carla Mariani entrega uma conjuntura de composições que não apenas se aventuram em temáticas de cunho autobiográfico, mas também de caráter reflexivo que beira, com certa desenvoltura, os ambientes do amor e do psicológico humano.


Importante mencionar que o disco não tem, em si, uma identidade puramente motivacional. Ainda assim, ele tem títulos com forte temperamento estimulante e positivista, como acontece com Birds e Happy Tears por instigarem não apenas o senso de liberdade, mas por mostrarem possibilidades de ter uma vida leve e cheia de bem-estar. Além desse lado puramente motivacional, o viés consciente pesa bastante no decorrer do material, algo que pode muito bem ser observado em faixas como Fool Blues, Bright Lights e também na faixa-título.


Nesse ínterim dialético, é interessante perceber como o disco, a partir de seu extenso time de músicos, consegue brincar com diferentes emoções. Combinando, de forma harmoniosa, melancolia, nostalgia, drama, sensualidade, delicadeza, deboche e ardência, The Lady Is Back In Blues chama a atenção por trazer diálogos que flertam com o empoderamento ao mesmo tempo em que traz enredos amorosos que destacam a carência e a vulnerabilidade emocional do indivíduo.


Brincando também com a ideia de sonho e explorando essa temática também no viés instrumental, detalhe que desencadeia em percepções sensoriais brisantes e de caráter onírico, o material precisa, para alcançar um patamar de exata simetria entre o que se deseja transmitir e o que de fato se transmite, de trabalhos eficientes nas áreas de mixagem e produção.


Ambas as atividades, assinadas pela própria Carla, apresentam pontos de importantes observações. Na mixagem, a profissional é feliz em destacar a presença de gêneros como blues e jazz regendo a massiva parte do álbum, mas também é alegre em mostrar flertes com o bolero a partir de uma sonoridade que permite a identificação de todos os instrumentos de forma clara, garantindo consistência e firmeza nesse aspecto.


Já no que se refere à produção, é preciso pontuar que existem ligeiras fragilidades, como diversos momentos de linearidade harmônico-melódica. Felizmente, esse não é um fator que prejudica a experiência do ouvinte. Afinal, ele se vê completamente entretido com os diálogos e os ambientes sonoros oferecidos. 


Fechando o lado técnico, vem a arte de capa. Assinada em parceria entre Carla e Lucas Rodrigues, ela traz a cantora em evidência se apoiando em uma guitarra envolta por um fundo preto agraciado por algo que parece ser o grafite de uma borboleta. Pela pose da vocalista, existe uma sintonia emocional com o álbum, por trazer menções de sofrimento e introspecção, além de trazer insinuações de sua identidade sônica. De certa forma, pode até parecer uma sessão de luto, mas a mensagem que a obra deixa é a de legado, gratidão e admiração.


Lançado em 01 de maio de 2026 de maneira independente, The Lady Is Back In Blues explora o universo sentimental do blues com o charme e o requinte do jazz. Apoiado nessa dupla atmosférica, o disco leva o ouvinte para cenários que o fazem refletir sobre a vida, sobre si e sobre o amor. Não é um álbum inteiramente motivacional, mas com certeza há boas injeções de consciência, ânimo, liberdade e, acima de tudo, sede de viver sobre a própria pele.

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Sobre o crítico musical

Diego Pinheiro

Quase que despretensiosamente, começou a escrever críticas sobre músicas. 


Apaixonado e estudioso do Rock, transita pelos diversos gêneros musicais com muita versatilidade.


Requisitado por grandes gravadoras como Warner Music, Som Livre e Sony Music, Diego Pinheiro também iniciou carreira internacional escrevendo sobre bandas estrangeiras.