Seu despertar é marcado por um punch melódico e de natureza levemente precisa. Marcada pela interação direta entre a guitarra de Caio Kirdeika e a bateria de Filipe Coelho, ela é rapidamente agraciada por um relâmpago bojudo entregue pelo baixo de Felipe Fornachari. Explorando, a partir de então, um hard rock de nuances ligeiramente sensuais, mas de postura com uma adrenalina presente, mas não tão exacerbada, a faixa chama a atenção por mergulhar em uma segunda estrofe instrumental pautada por certa linearidade estrutural.
Agraciada por um bom trabalho de mixagem, a composição permite ao ouvinte uma boa degustação de ambos os instrumentos, os quais se unem em um andamento calcado em um constante compasso em 4x4. Eis então que a obra permite o início da desenvoltura lírica e o contato do espectador com o timbre do vocalista. Preciso, mas igualmente aromático e aveludado, ele, na posse de Guilherme Manzato, consegue oferecer um bom contraponto com a acidez da guitarra e o leve azedume do baixo.
Instrumentalmente linear em grande parte da sua execução, a composição acaba tendo, nas modulações lírico-interpretativas do cantor, uma boa fonte de noção de movimento e, consequentemente, fluidez. Ganhando boas conotações de frescor conforme avança em meio à sua desenvoltura, a faixa chama a atenção em razão de seu solo de guitarra com base instrumental introspectiva e perfil bluesado bastante envolvente.
Diante dessa atmosfera, que ainda se vale de brisas reflexivas, Cult Of Reason, narrada em um inglês bem pronunciado, traz consigo um conteúdo lírico que põe em xeque o ego inflado da sociedade moderna. Mas não só. Como temas secundários, a música é feliz em dialogar sobre questões de culpa, inveja e ausência de motivação, questões que preenchem, de igual forma, a realidade atual de uma população fadada ao contato com a manipulação, ao autoritarismo e à ausência de propósito.

