O baixo, ao ser percebido como o instrumento responsável por puxar, sozinho, a introdução da composição, desfila não apenas sensualidade, mas irreverência e um consistente corpo. De natureza levemente rebolante, mas notadamente provocante em um sentido suavemente libidinoso, ele permite que a guitarra entre em cena a partir de um curto e suspirante riff que desencadeia em um instante instrumental macio e contagiante.
Destacando um compasso rítmico preciso e firme ofertado pela bateria, o que confere aos instrumentos anteriormente pontuados uma maior liberdade de ação, a faixa vai explorando interessantes flertes para com a new wave em razão da estética sinteticamente adocicada com que o teclado fornece os primeiros sinais harmônicos. Ao mesmo tempo, também esse instrumento apresenta inclinações para com um rock progressivo semelhante ao de nomes como Deep Purple.
Contudo, é ainda mais interessante notar a presença de uma sonoridade proveniente do wurlitzer adequadamente reproduzida pelo teclado. Tendo ela em contato direto com o groove do baixo, a canção, invariavelmente, passa a denunciar o funk como um importante contexto sônico de sua própria estrutura. E as modulações líricas adotadas pelo vocalista simplesmente enaltecem essa percepção.
Swingada e transpirante, Equal Access se destaca pela sua construção conjuntural bem-feita. Possibilitando ao ouvinte a degustação nítida de cada caráter sonoro exposto por todos os seus instrumentos, ela, consequentemente, expõe um bom trabalho de mixagem e uma banda com completa sintonia. Musicalmente madura, a composição traz de volta a saliência do funk setentista com a prova de sua versatilidade sonora.

