Santiago & The Soulmovers - Begging For Peace

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A guitarra surge nervosa. Com o senho fechado, semblante sério, mas uma desenvoltura ardente e provocativa, o instrumento se coloca em cena por entre riffs graves de nuances surpreendentemente regozijantes. Por meio dele, a canção já é capaz de comunicar uma imersão densa no campo de um heavy metal que muito rememora aquele executado pelo Black Sabbath. Nesse ínterim, ainda, o ouvinte não consegue escapar da cama harmônica construída por um teclado que imita o som do hammond, deixando o ambiente com toques guturais e adocicadamente ácidos.


Por entre uma bateria por vezes explosiva, mas consciente do protagonismo da guitarra, a obra esbanja precisão e consistência rítmicas, lhe conferindo, em tal instante, uma desenvoltura firme. Surpreendentemente, após um breve silêncio, a canção evolui para uma segunda etapa introdutória em que seu escopo sonoro mergulha profundamente na atmosfera do blues. É aqui, nesse instante, que a contribuição do baixo se torna evidente.


Por meio de seu groove encorpado, o instrumento confere uma equilibrada densidade à melodia, a tornando encorpada e levemente densa. Eis então que a guitarra se sente mais livre para ousar as suas posturas sensualizantes por meio de um aventurar ao modo de jam session que vai dando, à canção, um caráter de espontaneidade emocional pegajosa. Assim que o enredo lírico se inicia, tudo entra em sintonia e a conta se fecha.


Por meio de sua voz afinada em um tom intermediário, Santiago Periotti oferece ao ouvinte uma interpretação lírica que não traz consigo uma identidade tão somente lasciva. Ela é intensa, visceral e dramática. Sofrida em sua máxima essência. Lancinante, ela encapsula a alma do blues ao trazer a relação do sofrimento com o amor e a paixão. Com Begging For Peace, o protagonista lírico procura por uma paz de espírito que o afaste das dores de uma dolorida desilusão romântica.

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Sobre o crítico musical

Diego Pinheiro

Quase que despretensiosamente, começou a escrever críticas sobre músicas. 


Apaixonado e estudioso do Rock, transita pelos diversos gêneros musicais com muita versatilidade.


Requisitado por grandes gravadoras como Warner Music, Som Livre e Sony Music, Diego Pinheiro também iniciou carreira internacional escrevendo sobre bandas estrangeiras.