A canção tem início com um violão que, muito além de oferecer um vislumbre folkeado, traz consigo notas de frescor que tornam o ecossistema já com nuances sedutoramente vibrantes. Ao passo em que a guitarra se posiciona em cena com uma postura de caráter sensual com seu despertar espreguiçante, mas já bem provocativo, a canção vai tomando contornos ardentes que tornam difícil resistir ao seu encanto hipnótico.
Nesse ínterim, não apenas o chimbal entra em cena com seu sonar seco delimitando o compasso rítmico, mas também o baixo invade o contexto sônico com um groove denotativamente bojudo e encorpado que entrega a consistência ideal à desenvoltura sônica da obra. Capaz de sentir o suor escorrendo pelo seio da face, a canção faz com que o espectador vá, gradualmente, sendo capturado por uma espécie de frenesi inevitável.
Ao explodir em seu refrão, baseado em frases de guitarra suspirantes e simultaneamente provocantes, Lipstick Lies envolve o ouvinte na atmosfera de uma Sunset Strip oitentista enquanto escancara a influência de nomes como Bon Jovi e Mötley Crüe em sua sonoridade. Ainda que seja esteticamente simples, a composição tem os ingredientes dispersados em sua estrutura de forma a destacar uma mixagem equilibrada a ponto de fornecer ao ouvinte a possibilidade de degustar cada elemento sônico presente na paisagem sonora.
Com seu hard rock clássico, a faixa, por fim, é agraciada por um lirismo que trata da realidade de estar com um cônjuge que se usa da infidelidade como uma maneira de ganhar dinheiro e emoção. A partir desse conteúdo verbal, uma vez mais a realidade noturna oitentista da Sunset Strip é colocada em cena, ressaltando não apenas a promiscuidade, mas a libido imparável e descontrolada de uma época deliberadamente sexual.

