NOTA DO CRÍTICO
Quatro anos após o anúncio de seu último álbum de estúdio, Interlúdio Na Beira Do Caos, os manezinhos do Outros Bárbaros chegam agora com um material fresco e repleto de canções inéditas. Gravado no Bárbaro Estúdio, Pelas Ruas Das Américas traz uma série de participações especiais, enquanto traz a banda, agora, como trio.
Não se pode deixar de notar que, desde seu início imediato, a composição se deixa levar por um clima solar denotativamente radiante que embala o ouvinte com um clima praiano sedutor e irresistível. A partir da malemolência expressa pela guitarra de Maurício Peixoto, é fácil perceber a existência de uma inclinação corporal para com aquele típico gingado do axé. Soando sincopada, mesmo ainda não estando agraciada por elementos rítmicos, a faixa segue uma estrutura minimalista e unilateral que transpira uma alegria curiosamente envolvente. Rapidamente, porém, a faixa passa a ser abraçada por uma camada rítmica igualmente swingada. Dominada por Marco Mibach, ela, a partir da bateria, além de cooperar com a sensualidade, traz consigo uma leveza e uma simplicidade que tornam a sonoridade encantadora. Para fechar a conta de sons instrumentais, talvez, apenas durante seu nascimento, a faixa traz consigo uma atmosfera extra. Uma ambiência que auxilia, em demasia, na amplificação de uma energia expansiva de sorriso inevitavelmente contagiante. No comando de Rafael Almir da Silva e Hemerson Calandrini, trompete e trombone, respectivamente, conversam entre estridências e texturas bojudas de forma a contribuir, inclusive, com o desenhar dos vislumbres harmônicos. Claro que, nesse meio tempo, bem rente à base melódica, existe um sonar de sabor adocicadamente ácido preenchendo singelos espaços ainda existentes. O hammond de Diego Stecanella proporciona, ao contrário dos metais, uma harmonia mais delicada e singela, mostrando, a partir daí, uma certa versatilidade emocional. Eis que, no instante em que Peixoto assume a função de vocalista a partir da exposição de seu timbre intermediário afinadamente agradável, o baixo de Eduardo Lehr entra em cena por entre pulsos precisos, dando encorpamento e densidade à sonoridade da obra. Tornando a canção sincopada desde a base, o instrumento permite que a faixa-título enalteça seu caráter rítmico-melódico acentuado, enquanto permite o desdobramento do enredo verbal. É aí que, com leveza e suavidade, entre instantes de pura brisa e um frescor envolvente, a faixa flui para um andamento forroseado de vislumbres interessantemente melancólico-embriagante que dá uma espécie de reforço à mensagem lírica. Indo de temáticas como determinação, pertencimento e superação andam lado a lado com um retrato sócio-cultural tipicamente brasileiro. Um relato que destaca o positivo e o belo, mesmo quando existe a agonia e o desespero, mostrando as turbulências da vida. É amadurecimento, é sacrifício, é dor. É o destino mostrando as suas próprias imperfeições sem abalar a fé e a determinação.
Os punchs entre bateria e metais criam uma atmosfera introspectiva, amaciada e, inclusive, entorpecente. Delicada, aromática e inquestionavelmente sensual em seu sentido mais léxico, a canção exorta um caráter romântico marcante principalmente em razão da desenvoltura aveludada da guitarra. Explorando notas cuidadosamente açucaradas a partir da contribuição do sintetizador, a faixa não demora um instante sequer para transformar o sensual em uma experiência sensorial profundamente melancólica. Ainda que perante texturas que sugerem um agradável senso de aconchego, a faixa ganha contornos de torpor e uma postura cabisbaixa assim que o enredo lírico começa a se desenvolver. Envolta em um misto de introspecção, decepção e uma espécie de nostalgia desesperançosa, Cheguei, Cadê Você? explode em um refrão cheio de dor, drama e nuances viscerais que contagiam o ouvinte, o equalizando na mesma sintonia sofrida que aquela vivida pelo personagem lírico. Enquanto a guitarra, durante o solo, parece dar sentido às lágrimas, Cheguei, Cadê Você? se aventura pela nova linhagem da MPB e apresenta, curiosamente, uma cadência lírica que destaca a influência de Tim Maia, com especial menção à sua respectiva canção Gostava Tanto De Você sobre o trio. Isso serve para amplificar o sentimentalismo orgânico expresso perante um lirismo que destaca um poema musicado sobre pertencimento, recomeço e amor. Um instante de autoconhecimento que acende a carência e a fragilidade do indivíduo.
É interessante a forma como a guitarra consegue imprimir, por meio de uma movimentação levemente dura e seca, vislumbres de um curioso mergulho pela atmosfera swingada do reggae. Claro que essa impressão se esvai como uma brisa, pois a obra rapidamente se permite entrar em rumo de estruturação adocicadamente brisante graças à interação exercida entre bateria e sintetizador. Doce, swingada, contagiante e sincopada, a canção é abraçada por uma boa dose de frescor que acompanha, com suavidade, o desenrolar do enredo lírico. Assim como a interpretação lírica ofertada pelo próprio vocalista, a obra, em meio à sua essência, transpira sutileza e uma leveza capaz de expulsar qualquer sinal de preocupação ou tensão que possa vir a capturar a atenção do ouvinte. Com certa linearidade e explorando harmonias vocais a partir das sobreposições expressas por Peixoto, a faixa explode em um refrão que sintetiza o descompromisso e o incerto como regentes do lirismo. A partir daí, Nós Dois, mesmo sem ser agraciada por uma atmosfera propriamente romântica como aconteceu na faixa anterior, traz consigo a história de uma paixão que cresceu sem pressa. Que se deixou levar pelo acaso. Eis aqui, portanto, uma obra que, ao vangloriar um sossego regido pelo imprevisto e pelo fluxo do destino, faz do acontecer o novo e verdadeiro tom dos desejos e expectativas.
O sintetizador entra em cena de forma gradativa, com uma presença crescente de forma a providenciar, de imediato, um senso marcante de dramaticidade. A partir do efeito fade in, ele se mantém insistente até que a sonoridade adocicadamente ácida e típica do hammond preenche o escopo harmônico-melódico com agradáveis menções de torpor. Caminhando por entre um andamento rítmico preciso e amaciado, a canção exala certo grau de melancolia, especialmente pela combinação da harmonia instrumental com a interpretação lírica entregue pelo vocalista. Com delicadeza e um toque de ternura, portanto, o Outros Bárbaros dá, à Alucinação, faixa creditada a Belchior, um engrandecimento em sua melancolia, enquanto se mantém fiel a todo o restante de sua arquitetura sônica. De fato, eis aqui uma bela homenagem a essa figura marcante da música nordestina que foi Antônio Carlos Belchior.
Definitivamente, seu início é marcado por boa dose de torpor e um toque gracioso de embriaguez. Não apenas pela forma como o cantor interpreta as primeiras palavras do enredo lírico, mas também pela contribuição do hammond perante a camada melódico-harmônica, a canção se torna marcante pela sua maciez cambaleante e andamento lento, hipnótico. Delicada em meio aos seus perfumes graciosamente melancólicos, a faixa traz consigo um quê interessante de reflexão que, rapidamente, captura a atenção do ouvinte. Em meio a uma base blues, pautada por um compasso em 4x4, a canção mergulha em um refrão de sobreposições vocais ululantes que contribuem para um vislumbre transcendental que a acomete com doçura. Com referências a canções e nomes marcantes da MPB, Aquela Canção Do Roberto, ainda que não mais do que Nós Dois, traz consigo versos com rimas pobres e palavras homófonas que carregam consigo uma mistura de pesar e consciência. Aceitação com uma pitada de decepção. Aqui, existe a percepção daquele exato instante em que o relacionamento mostra seus rastros de iminente desarmonia e fim de sintonia em razão de uma máxima vulnerabilidade que escondeu o véu da realidade, trazendo apenas o mundo da solidão e do submundo interior. Não à toa que versos como “que o tempo enfim chegou para nós dois” e “eu sempre estive aqui” carregam, indiscutivelmente, a alma de Aquela Canção Do Roberto.
Com um groove firme e cheio de vida em razão do auxílio dos instrumentos de sopro, a canção se mostra sensual, simultaneamente, altiva desde seu primeiro instante. Proclamando, a partir da sintonia cravada entre metais, bateria e guitarra, um mergulho perante a cenografia sônica do soul, a faixa bebe, inclusive, de boas doses de sensualidade e de uma participação ativa do sintetizador, que torna a atmosfera respaldada por uma energia dançante crescente. O interessante é perceber que, no instante em que o primeiro verso se anuncia, o baixo parece desenhar um riff encorpado pautado em uma identidade de aparência nordestina, flertando com o xote, o que confere uma natureza regional à obra. Explodindo em um refrão de silhuetas reflexivo-melancólicas que destaca a presença tilintante do pandeiro de Alexandre Damaria fazendo a marcação rítmica, Sem Paz, Sem Chão também é possuinte de uma harmonia bem definida que embasa um lirismo que trata sobre identidade ao mesmo tempo em que avalia a crescente interação tecnológica com a sociedade.
Tudo tem seu início marcado por um compasso cru, mas quem, gradativamente, vai ganhando mais ênfase conforme o efeito fade in vai trazendo a sonoridade para o primeiro plano. É nesse processo que, inclusive, a composição consegue transpirar boas doses de uma sensualidade contagiante que sugere, acima de tudo, leveza. Depois que o chimbal é colocado como um primeiro protagonista ao entoar um sonar sujo e aberto, a canção explode em um instrumental de características delicadas, introspectivas e, também, com gentis menções sensoriais de melancolia. Aromática, contagiante e suave, a canção consegue combinar a precisão da bateria com a densidade do baixo e uma agudez sintético-açucarada providenciada pelo sintetizador de forma a tornar o alicerce da obra em algo frágil e atraente. Ainda que beba de certa linearidade durante os versos de ar, a faixa consegue alcançar uma identidade um tanto estimulante e motivacional conforme cresce sua energia. Durante o refrão, enquanto a reflexão bate à porta, o espectador é agraciado pela feliz percepção de uma acidez adocicada na camada harmônica. Vinda do hammond, ela fornece pitadas extras de uma delicadeza capaz de amplificar a sua natureza pensante de forma a providenciar o introspectivo. A partir daí, Fortaleza Hostil se mostra outro poema musicado cheio de rimas pobres que auxiliam a assimilação de seu enredo lírico, uma atitude consciente e sagaz ao ser empregada em uma composição sócio-analítica atual que, ainda, traz consigo visões antropológicas da cultura moderna. Enquanto a pressa e o imediatismo são colocados como o combustível que mantém a engrenagem social funcionando, a manipulação política, a influência da mídia e a ausência de lucidez no que tange o conceito de sanidade mental, a faixa mostra o quão frágil, enganado e corrompido pode ser o indivíduo. O interessante é que, dentro de tudo isso, Peixoto traz consigo versos que destacam o senso de coletividade, enaltecendo o fato de que tudo aquilo que o outro sente, é sentido por igual n’outro cidadão, pois esse faz parte da mesma corrente que move a nação.
Não existe qualquer contestação plausível. Afinal, a forma como o beat se combina com a sonoridade sintética faz nascer uma maciez adocicada capaz de envolver o ouvinte em um gracioso estado de torpor. Com o auxílio do veludo aromático e aconchegante do fender rhodes de Donatinho, a faixa, invariavelmente, envolve o espectador em uma experiência sensorial não apenas amorfinante, mas introspectiva e, inclusive, brisante. Delicada e suspirante graças à performance executada pelo violão, a faixa traz consigo uma cadência lírico-melódica que, de certa forma, faz o ouvinte rememorar aquela mesma estrutura criada por Jorge Vercillo em Homem-Aranha, seu respectivo single. Com o auxílio das texturas combinadas entre o moog e o sintetizador, Enfim Renascerá traz consigo uma interessante combinação entre os flertes para com a new wave e com uma temática psicodélica igualmente setentista. Desse modo, a canção leva o ouvinte a refletir sobre a realidade armamentista do mundo atual. Com senso de urgência mascarado em um torpor necessário para suavizar a seriedade do tema, a faixa exemplifica, apoiada em um grande senso de atualidade, locais que hoje vivem conflitos armados intermináveis. Cheia de metáforas e sentidos figurados, Enfim Renascerá é uma obra que acredita que o amor seja a cura para tanta ganância e posturas egocentristas. Eis aqui, portanto, a crença de que ele será motor e combustível da nova revolução.
Sintetizador e repique criam uma atmosfera regida por impulsos curiosamente alegres, mas que ainda estão imersos em uma identidade digitalizada marante. De andamento rítmico firme, é curioso perceber a maneira com que a bateria consegue misturar leveza com pressão em meio a uma performance embebida na influência swingada típica do reggae. Entre os suspiros bojudo-ácidos do baixo e a presença de vozes harmonicamente ululantes, a faixa traz consigo aquela mesma sonoridade cuidadosamente aguda e açucarada fornecida pelo sintetizador em Fortaleza Hostil, de forma a salientar a sutileza em meio à sua arquitetura sônica. Sincopada e capaz de fornecer um interessante senso de aconchego, a faixa caminha por entre um andamento rítmico cheio de sensualidade, mas ausente de qualquer menção propriamente sexual. Imprimindo, portanto, a maciez como importante textura sensorial, a bateria, mesmo sendo um elemento percussivo, consegue amplificar a alma e a dramaticidade das palavras expressas por Peixoto. Com boa performance também do sintetizador, o que torna a atmosfera entorpecente e embriagante, Bicho Acuado funciona como uma espécie de continuação de Enfim Renascerá, mas não de forma literal. O que acontece, aqui, é a continuação da exploração, por parte d’Outros Bárbaros, de suas ideias sobre questões da atualidade. Na presente faixa, por sua vez, a reflexão mergulha para o local ante o global. O Brasil visto de cima, ou melhor, visto pelos olhos de quem o vive, é colocado em xeque em razão do caminho que está trilhando no que tange o contato de sua terra. Enquanto a ganância, aquela mesma que rege a guinada armamentista, serve como combustível também para o mercado interno, imperar, a verdade sobre o indivíduo será exposta sem filtros. Sem piedade. Não importa o fogo ou a redução do verde natural. A lei do Brasil é determinada pelo homem-animal. E essa reflexão traz toda a verdade de um país que, mesmo diante de toda a atrocidade feita contra si, vê seus habitantes conseguindo dormir em uma noite cheia de ilusões.
Seu início sugere algo diferente. Uma ligeira mudança não necessariamente nas texturas, mas na forma como elas foram, até aqui, exploradas. O veludo aromático do fender rhodes continua com certa dominância, de fato, mas, ao mesmo tempo, a bateria entrega certo quê de precisão e, o baixo, a densidade exata que a introdução pede para não perder a sua suavidade marcante. Com uma identidade curiosamente lúdica e infantil, mas não no sentido de condescendência ou imaturidade, a canção brinca com certa sensualidade amaciado-bluesada entregue pela guitarra como forma de se adentrar no aspecto da fluidez estrutural. É a partir daí que, sem qualquer sinal de timidez, a composição começa a se aventurar pela paisagem do samba, de forma a torná-la swingada e sensual, mas ausente do apelativo. Quando uma textura sintético-azeda beira o escopo harmônico-melódico a partir do clavinete no rumo da crescente da estrutura sonora, a canção explode em um refrão denotativamente sambado que, rapidamente, ilustra influência de nomes como Marisa Monte e uma pitada audaciosa de Cássia Eller. Com um grande time de vozes integrando tanto o backing vocal como o coro, Brasil Criança atinge um clima de descontração irresistível e viciante. Um ambiente em que a festa, o contágio e o expansivo andam juntos em meio a uma espécie de mantra construído perante o alicerce da determinação, da fé e da perseverança. É a superação fundida ao foco e à persistência. Um novo jeito de dizer que o brasileiro não desiste nunca.
Brasil, a gente vê por aqui. Uma breve adaptação-apropriação do slogan da Rede Globo criado por Adilson Xavier pode servir para um início avaliativo. Afinal, o que Pelas Ruas Das Américas mais tem é Brasil, é brasilidade. Como uma obra poética capaz de transformar poemas em música, rimas em melodia, reflexão em urgência e ritmo em energia, o disco explora o regionalismo brasileiro sem medo de se aventurar pelo exterior.
Provando, a partir daí, a versatilidade e a expansividade da cultura musical brasileira, o disco vem manso. Começa delicado tanto em sonoridade quanto em lirismo. Avança de forma a explorar a sensualidade enquanto encontra a sua verdadeira identidade. Do xote, seus passos evolutivos seguem por uma trilha que passa tanto pela MPB, o axé e o samba quanto pelo soul, pelo blues, pela new wave e pela psicodelia.
O mesmo, porém, não pode ser dito do conteúdo lírico. Afinal, desde a faixa-título o Outros Bárbaros apresentaram visões maduras e conscientes sobre a sociedade brasileira e seu caráter antropológico. A fé inabalável, o sorriso perante a dor. A determinação, a força. Claro que, em meio às suas 10 obras, existem temáticas mais genéricas, como o pertencimento trazido especialmente em Cheguei, Cadê Você?; o amor em sua forma romântica em Nós Dois e sua antítese, o coração ferido, como em Aquela Canção De Roberto.
É inevitável, porém, a percepção de que Pelas Ruas Das Américas tenha na trinca Fortaleza Hostil, Enfim Renascerá e Bicho Acuado as mensagens líricas mais pinçantes, rascantes e viscerais. Diretas, pode ser a melhor palavra. Afinal, sem qualquer filtro ou medo de represálias, o Outros Bárbaros expressa sua visão acerca do quadro bélico global; da cobiça nacional trazendo, como consequência, o desmatamento travestido de ideia de desenvolvimento; do amor como símbolo da regeneração mundial. E como um sábio babalorixá, o disco encerra com uma bela análise do povo brasileiro em Brasil Criança: pura, boa, perseverante, determinada e persistente.
Não teria como dialogar com tanta profundidade por temas que suscitam a devida atenção sem um time eficiente de instrumentos. Em Pelas Ruas Das Américas, o Outros Bárbaros não poupou despesas, indo do trompete ao clavinete em uma grandeza de texturas que não cabe em uma mera descrição.
Para sintetizar cada um desses fatores de forma a criar um som firme e consistente, mas sem se esquecer da delicadeza, Alexei Leão foi o recrutado para fazer o trabalho de mixagem. Por meio dele, todas as camadas soam bem definidas, de forma a mostrar a existência de densidade, precisão e harmonia na medida certa do impacto pedido pelos enredos líricos. O mesmo foi feito por Peixoto na produção. Com ele estando tando na área criativa quanto na técnica, se conseguiu capturar toda a sensibilidade e a musicalidade de um trio cheio de sintonia.
Fechando, então, o escopo técnico, vem a arte de capa. Assinada entre Peixoto e Manu d’Eça, ela traz o busto dos três integrantes no centro de um círculo de caráter levemente místico. Adornada pelas cores verde e amarelo em tons mais foscos, é curioso perceber que ela dá, ao ouvinte, um senso de paz e, até mesmo confiança, enquanto dá indícios de brasilidade e sabedoria.
Lançado em 06 de fevereiro de 2026 de maneira independente, Pelas Ruas Das Américas traz um Brasil descrito por brasileiros. Traz o cidadão dissecado em sua máxima essência, de forma a mostrar a sua fragilidade, mas também a sua força. Eis aqui, portanto, um trabalho antropológico cheio de camadas sônicas que convidam a reflexões nem sempre fáceis, mas necessárias, sobre o mundo e sobre a terra tupiniquim. Um disco cheio de urgência, mas, também, de gentileza e suavidade.

