Desde seu início imediato, a canção já oferece ao ouvinte uma instrumentação madura. E dentro dela, o espectador consegue notar o frescor exalado pela sintonia das guitarras, a fluidez branda da textura sutilmente áspera do balançar do chocalho e da maciez adocicada do teclado. Dando ênfase a uma sensualidade encorpada trazida pelo baixo, a faixa também se vê agraciada por boas noções de consistência sonora.
Evoluindo sua paisagem delicada e amena, a canção se perde por entre um veludo embriagante que causa sensos graciosos não apenas de conforto e aconchego, mas, também, de uma curiosa proteção. Aromática como a brisa trazida pelo vento manso em um entardecer primaveril, a faixa é narrada por uma voz feminina de timbre firme e de nuances levemente guturais. Por meio dele, a faixa tem amplificada as suas menções de fragilidade e dulçor.
Conforme caminha por meio de um gradativo crescendo, sua estrutura se torna mais pulsante e com emoções mais inerentes a uma dramaticidade de leve angústia. Porém, quando chega no refrão, Love In Reverse se transforma em um produto não apenas pungente, mas soturno e lexicalmente dramático. De essência pegajosa, é aqui que mora a natureza de seu diálogo.
Lancinante e rascante, em certo aspecto, a canção apresenta um toque curiosamente romântico que perambula pela sua atmosfera. É exatamente ele que faz nascer um estigma nostálgico-melancólico diante de uma narrativa que captura a indecisão envolta de uma embrionária autoestima bamba ao trazer um indivíduo que se afasta de seu par mesmo sabendo que o relacionamento tem natureza recíproca.

