A guitarra dá o início à canção por meio de uma sonoridade crua, intimista e, acima de tudo, soturna. Sombrio em certo aspecto, o instrumento consegue ambientar o ouvinte no ápice da noite e fazê-lo experienciar emoções que o levam a vivenciar ímpetos de insegurança e fragilidade. Tudo por meio de uma postura um tanto sisuda.
Com o auxílio de um elemento percussivo de sonoridade semelhante ao pau-de-chuva, a canção, no momento em que parece entorpecer o ouvinte com brisas de uma leveza de nuance transcendental, explode em um instrumental de sonoridade áspera e de uma introspecção capaz de evidenciar uma espécie de agressividade controlada. Sobressaindo perante esse alicerce propositadamente rígido em sua seriedade ligeiramente flertante com o mórbido, está uma voz masculina afinada em um tom equilibradamente agudo.
De posse de Garrett Anthony Rice, ela, ao mesmo tempo que parece suavizar a tensão, fornece brisas harmônicas que entorpecem o espectador, o afastando de sua própria vulnerabilidade. De sonoridade cada vez mais sincopada, In The Sun, ao atingir seu ápice narrativo, escancara uma estrutura rítmico-melódica conjuntural bem trabalhada no que tange o trabalho da mixagem, uma vez que todos os instrumentos têm suas contribuições identificadas de forma transparente, tornando sua audição uma experiência consistente e de ambientação quase cinemática.
Com a canção, Rice conseguiu fazer, da inquietação soturna com boa dose de familiaridade com a paisagem estética de obras creditadas ao Nirvana, uma sensorialidade masoquisticamente atraente. Ainda que de aparente linearidade estrutural, a canção chama a atenção pelo seu pulso, consistência e precisão, questões que amplificam, inclusive, o seu viés dramatúrgico.

